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domingo, 17 de junho de 2012

Só enquanto for recíproco.


 Não sei de onde você tirou essa idéia que podia entrar e sair da minha vida nessa rotatividade infernal. Não sei de onde você tirou a idéia que podia escolher qual relação teria comigo, e mudá-la, sem aviso prévio, ao seu bel prazer . Talvez pelo meu silencio, e minha fragilidade diante de ti. Talvez pelas palavras que me faltavam na sua presença, apesar de me dar tão bem com elas. Talvez o brilho dos meus olhos ao te ver, me denunciou e te fez pensar que me tinha nas mãos. Pensamento este, confirmado pela minha total falta de pulso, quando eu deveria te dizer ‘não’, toda vez que voltavas tristonho pedindo meu colo, meu corpo. É meu caro, não posso sequer te culpar por completo, pois sou responsável por minhas escolhas. Sei exatamente como agir. Minha cartilha de "Como se comportar em um relacionamento" é digna de um  Phd formado em Harvard. Mas meu coração é tão marginal que não consegue seguir nenhuma regra, nem as que eu mesma criei. E como metade de mim é coração e a outra metade também: Quebro a cara. Sempre. Como se fosse a primeira vez. Ta aqui este blog que não me deixa mentir. Já quebrei muitas vezes, sinto muito, mas isso não é um privilégio seu. Apesar de viver dizendo que chegou pra fazer a diferença, no fundo, você foi como outros, se não o pior. Você foi só a parte da estrada. Não o destino. Não a última parada.

Você, dentro dessa bolha de ego, sempre bateu no peito pra dizer que era homem e não menino. Bom, ser homem pra mim é mais que ter barba na cara e pagar a conta do restaurante. Ser homem é saber o que quer. É bancar as próprias escolhas. É ter maturidade pra discernir o que é melhor pra sua vida e humildade pra saber que não pode agarrar tudo com as mãos. Nossos primeiros rompimentos foram muito dolorosos, mas hoje percebi que não tava doendo tanto assim. Troquei a lamentação da saudade dos bons momentos pelo alívio de saber que não viveria mais essa pseudo-relação agonizante que estava sempre espreitada por um telefonema ou sms que poderia acabar de vez com esse quase. Troquei a tristeza de ouvir suas frases sobre futuro na qual não me via, pela tranquilidade de saber que sua vida e o que você faria dela não era mais da minha conta. Só sei que é muito bom não ter que esperar por quem ficou de vir e não veio. É muito bom não estar na defensiva. É bom não pisar em ovos. É bom não me impor a obrigação de agradá-lo sempre. E sabe porque? Porque depois de tantas tentativas frustradas, o que fala mais alto é a desesperança e o instinto de sobrevivência. Mesmo com toda sua malandragem, vindo até mim tentando me convencer de que não aconteceu nada demais e que eu to fazendo drama barato, não conseguirei ceder, por mais que eu quisesse. Mas apesar de marginal, meu coração segue uma única lei que é sagrada: lei da reciprocidade. Demorei um pouco mas entendi que isso, na verdade, nunca existiu. Portanto, é o fim da linha pra você. Desça, porque eu não te levo mais pra passear nas curvas do meu corpo e nem do meu coração. Enquanto isso, você fica ai, esperando não sei por quanto tempo o outro bonde desocupar pra te levar pra passear em curvas nem tão perigosas e nem tão sinuosas assim, deixando outro se perder em mim. E você se achar em lugar nenhum.

Thalita Araújo.
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