Qualquer palavra que eu tente usar pra descrever o que eu senti quando ouvi aquelas frases, só minimizará o sentimento, pois é impossível mensurar a dor que se fincou no meu peito. Até agora, não sei de onde tirei forças pra fazer de conta que aquilo não tinha me feito sentir a mais idiota das criaturas, dizer "ok", levantar, cruzar a porta e as escadas, pra longe dele. Pasma, decidi ir embora daquela atmosfera, que testemunhara o começo, o meio e o fim do fim daquilo que, na verdade, só era verdade pra mim. Rápido, vamos! Não iria mesmo ouvir nada que me dissesse o professor de história. Cheguei no carro, sentei no banco, pus a chave na ignição. Parei. incrédula, respirei fundo. Levei a mão até a cabeça, me veio um flash back de tudo. E naquele instante as coisas começaram a fazer sentido. Uma mão amiga no meu ombro, confortando-me, infelizmente, sem êxito. Senti a ficha cair junto com as lágrimas que borraram o olhinho de gato que ele dizia adorar. Entreguei-me aos soluços, sem me importar com o olhar dos clientes do bar da frente, que me fitavam curiosos através dos vidros eternamente sem fumê. Nunca pensei que pudesse sentir tanta coisa ruim ao mesmo tempo, tudo misturado. Obedecer as regras do trânsito era a última coisa em que pensava. Felizmente estava calmo (contrastando com meu coração) pelo menos isso, bater o carro era tudo que eu não precisava naquele momento, a menos, é claro, que fosse nele. O telefone toca. Ele. O que mais poderia querer? Confirmar ou negar o que havia me dito há minutos atrás? Não faria diferença, eu não acreditaria em uma palavra sequer, não mais. E a noite se fez larga, não consegui dormir procurando entender como podia vir tanta frieza, de onde, antes, vinha tanto calor. Adormeci, despertei, virei, mexi, chorei, cansei, adormeci novamente. E Naquela manhã acordei " mais cansada que sozinha."
Eis que uma voz doce e chorosa, advogando, tenta me convencer que foi tudo estratégia pra que eu o esquecesse por meio do ódio. Mas não o avisaram que ferindo um coração, ele vai marcá-lo para sempre, deixando lá a cicatriz, causando justamente o efeito contrário. E ao invés de esquecido, será lembrado para sempre como uma referência negativa.
Quer seja mentira, quer seja verdade, não importa, foram palavras extremamente desnecessárias e gratuitas. Para confirmar sua vitória, o ganhador não precisa ferir ainda mais o perdedor, porque a própria derrota já se encarrega da dor. Mas pensando bem, vitória ou derrota é uma questão de ponto de vista. Se foi o presente de grego o que perdi, então, na verdade, eu ganhei.
Levo disso tudo, menos inocência, menos doçura e uma dura lição: É perigoso demais entregar seu coração pra alguém e deixa-lo fazer o que quiser com ele. Pois Deus o fez com muito carinho e te entregou novinho em folha, é sacanagem dar na mão de qualquer um.
21 de setembro de 2011, dia da árvore. Aposto que ele nem lembrava.
Thalita Araújo.

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